Visita de SAR o Grão–Duque Henri às exposições “Aristides de Sousa Mendes – um Cônsul português entre a consciência humana e a razão de Estado”, organizada pelos Arquivos Nacionais do Luxemburgo e “Portugal et Luxembourg, pays d´espoir et de détresse”, realizada pela Abadia de Neumunster – 14.02.2020.

 

SAR o Grão–Duque Henri visitou as duas exposições em epigrafe, acompanhado da Ministra da Cultura Sam Tanson, pela Senhora Secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Arquitecta Ângela Ferreira e pelo Embaixador de Portugal, assim como pelas respectivas directoras e curadoras das referidas instituições, Josée Kirps e Corrine Schroeder da primeira; Ainhoa Achutegui, Margarida Ramalho e Luisa Pacheco da segunda.

A primeira exposição, mais científica e documentativa,  centrou-se no papel determinante de Aristides de Sousa Mendes na emissão de documentos de viagem para salvar muitas nacionalidades e apátridas perseguidos pela Alemanha Nazi, entre eles judeus luxemburgueses, que Portugal acolheu, e do processo de emigração de portugueses para o Luxemburgo à procura de melhores condições de vida ou por razões de natureza politica, que as autoridades locais de então receberam. Ficou assim bem vincada a relação amiga entre os dois países, que começou a ser forjada por laços de sangue (a Grã-Duquesa Charlotte era portuguesa tanto pelo lado materno como pelo  lado paterno). SAR o Grão–Duque Henri demorou-se longamente na análise das fotografias dos seus parentes e objectos, assim como no registo de vistos emitidos por Aristides de Sousa Mendes.

A segunda exposição, mais grandiosa e generalista, complementar da primeira, não deixou de mencionar “en passant” o papel de Portugal no acolhimento dos judeus durante a II guerra mundial, assim como os motivos que levaram os portugueses a emigrar para o Luxemburgo no final dos anos 60, centrando-se grandemente no sofrimento dos judeus luxemburgueses que não conseguiram entrar no nosso país (“o comboio do Luxemburgo”) e foram recambiados para campos de concentração, onde muitos encontraram a morte. SAR o Grão-Duque Henri demorou-se longamente a conversar com alguns sobreviventes ou com filhos de judeus falecidos à época, de que alguns vivem em Portugal. A contribuição da MemoShoah e do Fundo de Fomento Cultural do Ministério da Cultura foram essenciais para concretizar esta exposição, organizada por Margarida Ramalho e Luisa Pacheco.

Adesão de Portugal ao IHRA (International Holocaust Remembrance Alliance) seguida da organização destas duas exposições constitui um momento alto da nossa acção diplomática e traduziu fielmente uma realidade que agora passou a ser conhecida no Luxemburgo, tendo ficado com a impressão de um Portugal diferente.

aristides s mendes 1

aristides s mendes 2

 

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